Katy Perry estoura tímpanos no Rock in Rio
Enquanto escrevo este pequeno desabafo, ouço os desafinos insuportáveis da “cantora” Katy Perry. Não se trata de tolo conservadorismo artístico, como se pode observar nas teses de Adorno, mas uma simples questão de consideração: com tanto dinheiro no bolso, não doeria investir uma pequena parte a aulas de canto, sua principal ferramenta de trabalho.
Por que, você se pergunta, Katy Perry, assim como uma parcela bastante substancial dos artistas pop, não investem pesado em aprimoramento profissional, bem como nós, pobres trabalhadores e estudantes assalariados, fazemos? Porque não se importam com o público. Nem um pouco. Desde que os brilhantes produtores continuem a camuflar suas imperfeições preguiçosas e desde que muitos continuem a consumir, pouco importa.
Katy Perry acaba de dizer, por exemplo, que “ama o Brasil”, logo após vestir nossa bandeira nacional em versão glitter. Será? A banda Restart certa vez disse, durante show em Cuiabá: “Mato Grosso do Sul, eu te amo!”. Sequer sabiam onde estavam, tampouco se importavam. Por que acreditaria na Katy Perry? Todos dizem a mesma coisa. Assim como discursos políticos ensaiados.
Sei que verei, sem qualquer esforço, milhares de tweets e recados no Facebook de mancebos e mancebas dizendo maravilhas sobre tudo, contaminados mais pela energia do momento do que pela performance. Para minha infelicidade, não me contentaria por tão pouco.
Que bom que você ama o Brasil, Katy Perry. Pena não poder dizer o mesmo sobre você.

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